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domingo, novembro 9

Saudade: s.f sentimento nostálgico e suave ligado à memória de alguém ou algo ausente.

Sempre fui muito apegada a minha vó. Desde pequena, bem pequena mesmo, íamos juntas para a igreja. Ia às novenas, nas casas das pessoas e por influência dela entrei na catequese.

Quem acompanha o blog, talvez se lembre que no ano passado, em dezembro vim rogar por orações quando pro nosso desespero ela veio a passar mal e ficou uma semana internada.

Graças a Deus, ela saiu do hospital, e ficou muito bem.

Vovó tinha 82 anos. Mulher guerreira criou dez filhos sozinha (vovô faleceu qdo a filha mais nova tinha 3 meses). Ela era meu ponto de referência, mulher, guerreira, de ótimo coração, nunca vi igual. A rainha do lar.

Teve que amputar uma das pernas, seis, sete anos atrás, por conta da diabetes.

Tinha problemas de coração. A idade era mais um agravante. Nada a seu favor.

Em junho nos mudamos, e ela apresentava um quadro com dificuldades respiratórias, grande confusão mental, tinha delírios e já não se alimentava mais sozinha.

Cheguei um dia do trabalho, se não me falha a memória, era uma quinta feira, e não a encontrei. Ela havia sido internada.

Lembra do inicio do post, onde falo sobre nossa ligação? Pois bem, no sábado seguinte acordei com muitas dores no corpo (havia dormido no quarto dela), eu não conseguia me levantar, era algo estranho, parecia ter levado uma surra e pra piorar a garganta doía demais, quase não conseguia falar. Não consegui ir trabalhar, nem no sábado e nem no domingo. Segunda já melhor voltei a minha rotina habitual.

Madrugada, segunda para terça, 2:30 acordei ouvindo vozes, vozes que infelizmente não traziam boas notícias. Ela havia partido, deixando um vazio muito grande em nossos corações. Minha prima que trabalha no local onde ela esteve internada, estava com ela no momento de sua partida, e disse que não houve sofrimento, foi como dormir.

Foi uma grande perda.

Todos aqui em casa tínhamos o conhecimento do sofrimento dela, e sabíamos que Deus estava fazendo o melhor por ela, ela gemia dia e noite devido às dores que sentia. Particularmente, criei um mecanismo de defesa. Senti a dor, chorei o tempo todo, mas quando cheguei em casa e olhei pra sua cama, eu pensei " ela viajou, e vai voltar, eu sei", no fundo no fundo, eu sabia que não, ela não voltaria, mas não era nisso que eu queria acreditar. Não deixei a ficha cair.

Nem sempre a saudade é um sentimento nostálgico suave, às vezes ela é desesperadora, fica um vazio que não há como preencher. Vovó partiu dia 29/07, dois dias antes de Su completar quatro anos.

Eu não sei explicar o que sinto, e difícil passar um dia sem que não tenha me lembrado dela, do seu jeito doce e delicado de ser.

No dia do meu aniversário, eu chorei muito. Recebi felicitações de pessoas queridas, pessoas q amo e que são importantes pra mim, mas, sabe quando falta algo? Pois é, faltou as palavras dela, o abraço dela.

Ela se foi, deixou saudade, e como diz Sueli "a bibi virou florzinha no jardim do papai do céu", foi colorir e perfumar o andar de cima.

Ela era muito católica, beata, rezava o terço todos os dias. E às vezes enquanto rezava, ela cochilava e deixava o terço cair, RS, ela começa tudo de novo. Seus primeiros filhos foram homens, então decidiu fazer uma promessa, se tivesse uma menina ela faria um presépio todos os anos, em todos os natais. O presépio era alvo de visitações, não era um simples presépio, era uma obra de arte, e ela fazia, ano após ano... deixou de fazer, nem mesmo nos últimos anos. Estes foram mais delicados, nos ajudamos na construção, mas sempre tinha o dedinho dela.

O Natal pra mim é algo muito mágico, é a festa comemorativa do meu coração, a preferida. Ando na rua e vejo que esta data esta a se aproximar, e isso mexe comigo, principalmente quando vejo os presépios, me traz logo a mente lembranças vovó. Pela primeira vez, passaremos o natal sem ela, to tentando elaborar essa realidade.

Sei que foi o melhor para ela, mas como seres egoístas que somos, é muito difícil aceitar.

A maior frustração do ser humano é a morte. Ela nos faz perceber que não possuímos controle sobre nossas próprias vidas, e o mais engraçado, não percebemos que a cada dia que passa, morremos um pouco. Seria a morte, o fim ou o começo de tudo? Nela nos perdemos ou nos encontramos?

"Quando considero a brevidade da existência dentro do pequeno parêntese do tempo e reflito sobre tudo o que está além de mim e depois de mim, enxergo minha pequenez. Quando considero que um dia tombarei no silêncio de um túmulo, tragado pela vastidão da existência, compreendo minhas extensas limitações e, ao deparar com elas, deixo de ser eu e liberto-me para ser apenas um ser humano. Saiu da condição de centro do universo para ser apenas um andante nas trajetórias que desconheço"

SAUDADES...