E ai, ela achou que ainda tinha muito a ser
traçado, a ser escrito, a ser vivido...
Depositou sua intensidade naquelas horas, naqueles minutos, naqueles
segundos... Sem entender o porquê, apenas entregou-se.
Perdeu-se!
Encontrou-se!
Não soube... Mas havia uma coisa ali...
já não sabia...
já não entendia...
apenas viveu...
"Se não era amor, era da mesma família. Pois sobrou o que sobra dos
corações abandonados. A carência. A saudade. A mágoa. Um quase desespero, uma
espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não se
sabe se vai ser antes ou depois de se chocar contra o solo. Eu bati a 200 km por hora e estou
voltando á pé pra casa, avariada.
Eu sei,não precisa me dizer outra vez. Era uma di...versão, uma paixonite, um
jogo entre adultos. Talvez este seja o ponto. Talvez eu Não seja adulta o
suficiente para brincar tão longe do meu patio, do meu quarto, das minhas
bonecas. Onde é que eu estava com a cabeça, de acreditar em contos de fada, de
achar que a gente muda o que sente, e que bastaria apertar um botão que as
luzes apagariam e eu voltaria a minha vida satisfatória,sem seqüelas, sem
registro de ocorrência? Eu não amei aquele cara. Eu tenho certeza que não. Eu
amei a mim mesma naquela verdade inventada.
Não era amor,era uma sorte. Não era amor, era uma travessura. Não era amor,
eram dois travesseiros. Não era amor, eram dois celulares desligados. Não era
amor, era de tarde. Não era amor, era inverno. Não era amor, era sem medo. NÃO
ERA AMOR, ERA MELHOR”
Martha Medeiros